A dor do outro transforma a nossa.
- Elde Bueno
- 22 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
Meu primeiro Congresso Nacional de Arteterapia me trouxe algumas percepções valiosas sobre trauma, desenvolvimento pessoal, astrologia e escolhas de vida. No final desse post eu conecto todas elas.
Até que ponto estamos conscientes do quanto nossas escolhas nos afetam a médio e longo prazo?
O relato de experiência que apresentamos numa Mesa intitulada « Mulher - Feminino Plural » no 15º Congresso Brasileiro de Arteterapia, minha parceira Georgia Scaff e eu, por si só já mobilizou muito em nós.
Contamos a história de uma em cuidados paliativos, que acompanhamos de perto no grupo de apoio que coordeno e em que Geórgia conduz processo arteterapêutico. Nosso carinho por ela é grande além do que cabe explicar.
Vivenciei 3 oficinas arteterapêuticas que me tocaram profundamente: com argila, que trazia a mitologia africana e simbolismo de Nanã; com costura, que trazia o potencial por trás de nossas cicatrizes; e com soul collage, que convidava a desvendar mistérios inconscientes através das imagens.
Saí cansada e mais reflexiva que o usual.
Satisfeita com os resultados, ainda que o excesso de pessoas e estímulos com alguma frequência me desorganize.
E tudo isso tem a ver com trauma.
Desenvolvimento pessoal.
Astrologia.
Escolhas de vida.
Traumas que vejo de perto todo dia, no trabalho e na vida. Traumas da minha parceira querida, que no vínculo comigo se evidenciam. Traumas da nossa paciente, que com a sabedoria de quem vive com presença cada dia, enxerga a morte sob outra perspectiva: a de quem decide expandir. Traumas das pessoas desconhecidas, que nas histórias contadas nomearam dores que ninguém jamais deveria sentir.
Desenvolvimento pessoal delas, meu. Olhar atento que busca sempre conhecer mais um pouco de si. Horizontes que ampliam a cada história ouvida. Desenvolvendo a si pra amparar o outro.
E a astrologia chega com o simbolismo e a beleza. Nas traduções celestes, um Saturno no Meio-Céu de Peixes me traz a sensibilidade - e o peso - de alguém que carrega o oceano na mente.
Profundidades infinitas.
Diversidade e muita vida.
Com a limitação de existir em um corpo único, de carne e osso, na utópica imensidão do desejo de ser-além-do-corpo. Com um Sol obscurecido pelos mistérios de tudo que é finito - casa 8.
Mas por fim as escolhas de vida.
Enquanto três grandes amigas visitavam minha cidade - e eu longe;
Enquanto a banda que até hoje traz sentido a boa parte de mim se apresentava na minha cidade - e eu longe;
Enquanto a primeira aula da disciplina nova do meu curso de especialização acontecia, eu longe.
Enquanto uma parte de mim vagava, sonhando se dividir em várias pra viver tudo possível - não fosse eu presa a esse único. corpo. físico. -, eu me vi longe.
Longe, num lugar onde jamais imaginei estar.
Longe, colhendo frutos de uma vida que, com minhas mãos, resolvi criar.
E ali, nesse Congresso, as vivências e conexões pra muitos foram só mais um dia.
Pra mim, foi onde me via:
Uma mulher. Uma profissional. Uma menina. Uma Arteterapeuta. Uma ativista social. Uma sonhadora afetivo-intelectual. Uma cuidadora. Uma amiga. Uma desconhecida. Uma mais-uma na fila.
Ali, me vi longe de tudo que já fui.
Mas muito, muito perto daquilo que verdadeiramente desejo ser.
Cor-ação pra entender, inspirar e transformar ❤️🔥🍀
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